Wheel Studio
Furação e PCD

Como descobrir a furação da roda do seu carro sem errar

Aprenda onde consultar o PCD, como interpretar a marcação da roda e por que medir cinco furos com uma régua pode confundir padrões próximos.

Mecânico usando gabarito sobre roda de cinco furos em bancada branca
Em cinco furos, um gabarito adequado reduz a chance de confundir padrões próximos.

A forma mais segura de descobrir a furação é identificar exatamente o veículo e consultar manual, catálogo do fabricante ou aplicação técnica da roda. Use a marcação da peça como confirmação. Meça somente quando não houver documentação e, em cinco furos, prefira um gabarito, pois a régua fornece apenas uma estimativa.

A forma mais segura de descobrir a furação da roda do seu carro é consultar a documentação correta para o veículo exato. Comece pelo manual, catálogo de peças ou aplicação do fabricante da roda. Confirme a marcação existente na peça. Meça apenas quando essas informações não estiverem disponíveis e, em rodas de cinco furos, use um gabarito sempre que possível.

O objetivo é chegar a uma identificação como 4x100 ou 5x114,3. O primeiro número é a quantidade de fixadores; o segundo é o PCD em milímetros. Não confunda essa medida com a distância entre dois furos vizinhos ou com a abertura central.

Comece pela identificação do veículo

Anote marca, modelo, ano de fabricação, ano-modelo, geração, versão e motorização. Em alguns carros, uma mudança de plataforma altera o conjunto de rodas sem mudar muito o nome comercial. Especificações de outro país também podem aparecer em buscas e não corresponder ao veículo brasileiro.

O VIN ajuda uma concessionária ou catálogo oficial a localizar a peça correta. O diâmetro do aro não identifica a furação: versões de aro 15, 16 e 17 do mesmo carro podem manter o PCD, enquanto outro modelo com o mesmo aro pode usar uma furação diferente.

Ao consultar uma tabela, procure o recorte por mercado. “Chevrolet Onix”, sem geração nem país, é insuficiente para concluir uma medida. Esse cuidado evita boa parte das contradições encontradas na internet.

Onde consultar primeiro

Siga esta ordem prática:

  1. Manual do proprietário ou documentação técnica da montadora para o ano e a versão.
  2. Catálogo oficial de peças e acessórios, usando VIN ou código da peça.
  3. Aplicação publicada pelo fabricante da roda.
  4. Marcação gravada ou fundida na roda original.
  5. Base técnica especializada, conferida com outra fonte.
  6. Medição física por profissional quando ainda houver dúvida.

O manual nem sempre publica o PCD. Ele pode mostrar apenas pneus, aros homologados e torque. Nesse caso, não preencha a lacuna com o primeiro resultado de busca. O catálogo de peças ou a especificação do fabricante da roda costuma ser mais útil.

Leia a marcação da própria roda

Rodas podem trazer diâmetro, largura, offset, código da peça, fabricante e certificações no verso. O padrão PCD nem sempre aparece escrito de forma explícita. Fotografe todas as marcações antes de procurar pelo código.

Um código OEM pesquisado no catálogo correto é mais confiável do que tentar reconhecer a roda pela frente. O mesmo desenho pode existir em tamanhos ou aplicações diferentes. A tampa central também pode ser trocada e não prova a origem da peça.

Se a roda tem dupla furação, a frente mostra mais furos do que o veículo usa. Consulte a documentação daquela roda para saber quais padrões foram fabricados. Não escolha quatro furos “que parecem alinhar”.

O que medir

PCD é o diâmetro do círculo que passa pelo centro dos furos. A definição técnica da OZ Racing separa claramente PCD, furo central e offset. Antes de encostar a régua, conte quantos pontos de fixação existem e identifique o centro de cada um.

Também meça o furo central, mas registre-o em outro campo. Se a roda está no carro, os prisioneiros e porcas podem impedir uma leitura limpa. Remover uma roda exige procedimento seguro, apoio adequado e torque correto na montagem; se você não tem equipamento e experiência, leve o veículo a uma oficina.

Como medir quatro, seis ou oito furos

Quando existe um furo diretamente oposto, o Tire Rack orienta medir do centro de um ao centro do outro. Essa distância atravessa o centro do círculo e corresponde ao PCD.

Use paquímetro ou régua rígida, mantenha o instrumento no mesmo plano da face e encontre os centros, não as bordas. Uma leitura de borda a borda pode somar ou subtrair o diâmetro do furo e levar ao padrão errado.

O desenho em como medir PCD de quatro e cinco furos mostra a diferença geométrica. O SVG foi construído com coordenadas fixas para não depender de uma ilustração generativa.

Como medir cinco furos

Cinco furos não têm um par diametralmente oposto. Segundo o Tire Rack, pode-se medir do centro de um furo até um plano imaginário que passa pela borda externa dos dois furos do lado contrário. O resultado é uma estimativa para reconhecer o padrão.

Roda de cinco furos com a linha de estimativa do círculo de furação indicada
Referência para estimar o PCD de uma roda com cinco furos

Essa ressalva importa. 5x110, 5x112 e 5x114,3 estão separados por poucos milímetros. Uma régua larga, um ângulo de visão ruim ou o centro marcado de forma imprecisa pode confundir os resultados. Um gabarito de PCD ou a leitura em equipamento apropriado é mais segura.

Não aplique uma fórmula encontrada sem saber quais pontos ela usa. Há métodos que partem da distância entre centros vizinhos e usam fatores trigonométricos diferentes para cada quantidade de furos. Um fator errado produz um número convincente e incorreto.

Milímetros e polegadas

Alguns catálogos usam polegadas. O NIST estabelece que uma polegada internacional equivale exatamente a 25,4 mm. Portanto, 4,5 polegadas correspondem exatamente a 114,3 mm. É por isso que 5x4.5 e 5x114,3 aparecem como descrições do mesmo diâmetro nominal.

Não faça aproximações por semelhança. 5x115 não é outro jeito de escrever 5x114,3. A conversão só é válida quando os valores matemáticos coincidem e o fabricante trata aquela nomenclatura como equivalente.

Meça a roda ou o cubo?

É possível identificar o padrão pelos furos da roda desmontada ou pelos prisioneiros/furos do cubo. A referência geométrica é a mesma. O acesso, porém, muda.

Na roda, procure centros bem definidos e danos que alterem a borda. No cubo com prisioneiros, a medição ocorre entre os centros dos prisioneiros. Em cubos que recebem parafusos, os centros ficam nos furos roscados. Não use a cabeça da porca como referência se ela estiver fora do centro visual.

Depois compare o resultado com os padrões efetivamente previstos para aquele veículo. A medição sozinha não informa furo central, offset, largura, carga ou assento da ferragem.

Por que tabelas aleatórias falham

Listas sem fonte tendem a remover justamente os dados que distinguem as aplicações: geração, ano-modelo, versão e país. Um nome pode ser reutilizado em plataformas diferentes. Também há páginas que misturam sedãs, hatches e derivados sob um único modelo.

Use bases técnicas como pista, não como autorização para montagem. Abra a página da geração, confira o mercado e procure uma segunda confirmação. Se as fontes discordarem, interrompa a compra até identificar a razão.

Erros comuns de medição

  • Medir entre bordas de furos e chamar o resultado de PCD.
  • Medir apenas dois furos vizinhos.
  • Usar uma trena flexível sobre uma face curva.
  • Arredondar um resultado para o padrão desejado.
  • Confundir 5x4.5 polegadas com 5x4,5 milímetros.
  • Ignorar sujeira, deformação ou furo alargado.
  • Medir com perspectiva e tentar corrigir pela foto.
  • Escolher a aplicação pelo nome do carro sem geração ou mercado.

Exemplo prático de conferência

Imagine que uma roda usada foi anunciada como “cinco furos para Chevrolet”. Primeiro, peça foto do verso e o código da peça. Depois identifique qual Chevrolet originou a roda. Só então compare o PCD documentado com o seu veículo.

Mesmo que ambos sejam 5x105, ainda faltam furo central, offset, tala, aro, carga e ferragem. Se o vendedor só confirma “cinco furos”, a informação não é suficiente para fechar a compra.

Antes de comprar

Peça por escrito a aplicação completa da roda e guarde o código. Confira sinais de trinca, solda, empeno e furo deformado com profissional especializado. Faça um teste de montagem controlado antes de instalar pneus ou rodar.

A Resolução CONTRAN nº 916/2022 também impõe limites ao conjunto roda e pneu: ele não pode ultrapassar os para-lamas nem tocar componentes do veículo em condições extremas. Uma leitura correta do PCD é necessária, mas não cobre essa avaliação.

Após confirmar todas as medidas, simule o desenho no seu carro. A prévia responde à pergunta estética; a documentação e a inspeção respondem se o conjunto pode ser instalado.

Fontes consultadas

Perguntas frequentes

Onde encontro a furação original do carro?

Comece pelo manual, catálogo de peças da montadora ou aplicação do fabricante da roda usando ano, geração, versão e, se possível, o VIN.

Como medir uma roda de quatro furos?

Meça do centro de um furo ao centro do furo diretamente oposto, mantendo o instrumento no mesmo plano da face.

Como medir uma roda de cinco furos?

A leitura caseira é apenas estimada. Prefira um gabarito; com régua, a referência vai do centro de um furo ao plano externo dos dois opostos.

5x4.5 é igual a 5x114,3?

Sim. Como uma polegada equivale exatamente a 25,4 mm, 4,5 polegadas correspondem a 114,3 mm.

Posso descobrir a furação por uma foto?

Uma foto pode ajudar a contar furos, mas perspectiva e escala impedem confirmar o PCD com segurança. Use documentação ou medição física.

A marcação da roda sempre mostra o PCD?

Não. Ela pode mostrar aro, tala, offset e código. Pesquise esse código no catálogo correto para chegar à aplicação completa.